Fico muito triste por não compreender as atitudes de alguns políticos portugueses. Estou em crer, que o poder local tem um poder discricionário demasiado grande. Ainda há pouco tempo houve um encontro imagine-se, de sindicatos do norte de Portugal e da Galiza, em Guimarães, na cidade que se diz ser o berço da nacionalidade portuguesa e tão somente essa. Uma “pequenina” provocação! Ainda há pouco tempo em um programa do Prós e Contras, do qual sou um espectador atento, um dos participantes terá declarado que o país precisa, necessita de uma massa crítica, de forças associativas próprias que defendem convenientemente os nossos interesses. Na falta disso, haverá sempre quem ou o quê, queira defender interesses que não serão efectivamente os do todo nacional, que entram em colisão e prejudicam Portugal. Esta menção exacerbada à Galiza, ao TGV, à ligação Porto-Vigo, associações que pretensiosamente querem ou acham que defendem o interesse dos portugueses, na verdade não estão mais, na minha modéstia opinião senão a defender os seus próprios interesses. Não concordo em nada com uma pseudo euro-região norte de Portugal-Galiza. Aprofundando a questão do TGV… Não está previsto, que se saiba, que o TGV passe pelo aeroporto de Pedras Rubras… Talvez esteja previsto, na Galiza que os seus 4 aeroportos possam fazer concorrência directa com o nosso premiado aeroporto, já que o objectivo da Galiza, afinal Espanha, é precisamente criar dependências do norte de Portugal face a uma Galiza que quer a médio e longo prazo exercer influências sobre a massa crítica do norte de Portugal. Bem, como português e daqui do nosso norte, estou profundamente desiludido com alguns políticos, deste nosso norte. Sendo apartidário, não acredito neste sistema, nem muito menos em pessoas que exercendo o papel de presidentes da Câmara de um ou outro município se acham no direito de falar por Portugal, ou por uma entidade estranha, que se acham no papel de representantes de um conjunto de municípios e depois proferem discursos que mais não parecem do que apelar ao desmembramento de Portugal. Sim, os mesmos que muito gostam de falar em ibérico, quando afinal o que pode existir é uma relação entre estados, uma relação luso-espanhola. Esses mesmos se esquecem ou pretendem apagar do mapa Andorra e Gibraltar, esses mesmos adoram, sentem prazer em insistir no que é ibérico, quando afinal estamos na Europa, ou não estamos? Os mesmos que insistem que deveremos aprender Castelhano! A centralidade do poder? Qual centralidade? De Lisboa? Mas que ideia pensais sobre quem vive em Lisboa? Está mais do que provado, apesar de tudo, que no norte existe mais qualidade de vida, que em Lisboa mal existe tempo para respirar. Para além do mais? Quantos dos nossos governantes eram ou não do nosso norte? Será preciso desfilá-los por aqui? Esqueçam a porcaria da vossa centralidade! Ela não pode ser desculpa para a divisão dos portugueses. Chega de perfídia! E a estação do Caia? Que é tão linda? A estação internacional, dizem… O melhor da estação ficou em Espanha, a gare dos passageiros, digamos que o cartão de visita e para nós, que somos portugueses ficou, para calar a boca, o armazém de carga… Pois bem, pois bem, talvez seja preciso afirmar que Portugal é um estado, uma nação entre tantas outras que tem as suas próprias especificidades e que importa respeitar. Se esta minha voz está revoltada, acredito que muitas outras e pelas que tenho lido e ouvido também o estão e é triste que exista tão pouca sensibilidade dos políticos para que possam compreender o todo do seu próprio país. Para que tenham uma ideia coerente de Portugal. Reduziram as linhas a norte de Portugal, também políticos nascidos no norte de Portugal, imagine-se… Não venham meus amigos com a desculpa da centralidade! Será que temos um transporte ferroviário de jeito que nos ligue de norte a sul, directo? Apenas com paragens em Braga, Porto, Coimbra, Lisboa e Faro? Será que o nosso Alfa atinge 220 Km hora e tem uma linha exclusiva? Não, por vezes até atinge 80 Km hora! Para que raio os políticos querem o TGV Porto-Vigo? Não chega o comboio já existente? É preciso mais? Alguma vez os portugueses se deslocarão a Vigo de TGV? A maioria não vai! E de Porto a Lisboa, a maioria vai! E no Verão, e até outras épocas quanto de nós não gostaríamos de ir ao Algarve tomar um banho de sol e de mar? A maioria de nós iria! Quem quer ir à rias galegas tomar banho? Ninguém! É um absurdo, é demais, é algo que é preciso, nem sequer reflectir, é preciso abnegação total da parte de todos para defender o bem comum e esse só pode ser e sempre o interesse geral português, dos portugueses do Porto a Ponta Delgada, de Faro ao Funchal. O problema mesmo é aqui no norte os municípios, os seus líderes estarem a apostar errado, a unir-se às pessoas erradas, aos grupos errados. É preciso investir em Portugal, para Portugal, com os portugueses e com aqueles que cá estão por múltiplas e variadas razões. E é preciso que o mundo lusófono seja protegido de movimentos, associações sindicais hispânicos, de qualquer que seja o espaço territorial, de gente que não vêm cá só por ser simpático, mas por interesses que não são seguramente os nossos. Sou europeu, não sou ibérico, sou português.



